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Toxicologia Forense: Como Determinar a Causa Química da Morte

 

A toxicologia forense é um dos pilares das investigações criminais, especialmente quando a causa da morte não é visível a olho nu. Muitas vezes, não há sinais evidentes de violência ou trauma externo, e a única forma de entender o que levou ao óbito é mergulhar na bioquímica do corpo. É justamente nesse cenário que a toxicologia forense ganha protagonismo, ao investigar a possível presença de substâncias químicas que tenham causado ou contribuído para a morte. Essa área envolve conhecimentos de química analítica, farmacologia, medicina legal e ciências criminais, sendo fundamental para garantir justiça e esclarecimento em casos complexos.

O que é a Toxicologia Forense?

A toxicologia forense é o campo da ciência que se dedica à detecção, identificação e quantificação de substâncias tóxicas em amostras humanas, com o objetivo de elucidar questões legais relacionadas a intoxicações, envenenamentos, overdoses e mortes de causa indeterminada. Mais do que identificar compostos presentes no corpo de uma vítima, o toxicologista forense precisa interpretar a relevância desses achados no contexto do caso, determinando se a substância foi de fato a causa da morte, se teve papel contributivo ou se sua presença foi meramente incidental. Para isso, são necessários critérios técnicos rigorosos, interpretação crítica dos dados laboratoriais e diálogo constante com médicos legistas e autoridades investigativas.

Coleta de Amostras Biológicas

 

O processo de investigação toxicológica tem início ainda durante a necropsia, quando o médico legista realiza a coleta das amostras biológicas necessárias para análise. Os tecidos e fluidos corporais escolhidos devem ser os mais adequados para cada tipo de substância suspeita, considerando aspectos como estabilidade pós-morte, distribuição tecidual e potencial de contaminação. O sangue é geralmente a matriz de escolha para determinar concentrações circulantes, enquanto urina, fígado, rim e humor vítreo são analisados para complementar a interpretação, especialmente em casos de decomposição avançada ou redistribuição post-mortem. A adequada conservação dessas amostras, por meio de refrigeração e uso de conservantes específicos, é essencial para garantir a fidelidade dos resultados analíticos.

Triagem e Análise Toxicológica

 

As análises laboratoriais em toxicologia forense geralmente seguem uma sequência que começa com a triagem e evolui para testes confirmatórios mais específicos. A triagem consiste em detectar, de forma rápida e sensível, a possível presença de substâncias pertencentes a diferentes classes químicas. Embora métodos como os imunoensaios sejam amplamente utilizados nesta fase, sua suscetibilidade a interferências exige que os resultados positivos sejam posteriormente confirmados por técnicas mais precisas. Entre essas, destacam-se a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS) e a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), capazes de identificar e quantificar substâncias com alto grau de confiança. Para elementos inorgânicos e metais tóxicos, como chumbo, arsênio e mercúrio, recorrem-se a métodos como a espectrometria de absorção atômica ou a espectrometria por plasma acoplado à emissão ótica (ICP-OES ou ICP-MS), especialmente eficazes na detecção de traços.

Interpretação dos Resultados

A fase de interpretação dos resultados analíticos é, sem dúvida, uma das mais complexas e delicadas da toxicologia forense. Identificar uma substância em determinado tecido não implica, necessariamente, que ela tenha sido responsável pelo óbito. É preciso considerar a concentração detectada, o tempo entre a ingestão e a morte, a via de administração, a tolerância individual, o histórico médico da vítima e os efeitos esperados da substância em questão. Além disso, alterações químicas e redistribuição post-mortem podem interferir nos níveis observados, tornando essencial a análise de múltiplas amostras e o cruzamento de dados com informações clínicas, histológicas e circunstanciais. A literatura toxicológica, que compila faixas terapêuticas, tóxicas e letais para diversas substâncias, serve como referência, mas cada caso exige uma análise contextualizada e criteriosa.

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Thais Ferreira Cruz

Assessora de Marketing